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Usina Verde: empreendimento econômico e ecológico

agencia2595T.jpgA Usina Verde, projeto da iniciativa privada, cuja parte da tecnologia foi desenvolvida pela Coppe/UFRJ, passará por um monitoramento do Bureau Veritas (Escritório Internacional de Certificação) durante seis meses, para habilitar-se a receber créditos de carbono (uma espécie de bônus negociáveis em troca da não poluição ambiental estabelecido com base no Protocolo de Kioto).

O projeto trabalha com a incineração de lixo urbano e é considerado uma tecnologia limpa, pois destrói termicamente os gases poluentes produzidos no processo, liberando na atmosfera, sem causar danos ambientais, apenas vapor de água e CO2.

Em funcionamento desde 2004, a usina, que fica na Ilha do Fundão, próxima ao Hospital Universitário, recebe diariamente 30 toneladas de resíduos sólidos, já pré-tratados, provenientes do aterro sanitário da Comlurb, no Caju.

Na unidade, os resíduos passíveis de reutilização ou de reciclagem são retirados; o restante é incinerado. Os gases ácidos resultantes da incineração do lixo são lavados com água alcalinizada. Ocorre então uma reação química que transforma essas substâncias em sais minerais e água.

Geração de Energia

Além de ser ecologicamente correta, a usina apresenta também uma faceta econômica, pois cerca de 90% do peso do lixo é transformado em energia. Graças a uma caldeira de recuperação de calor instalada no forno do projeto, o calor da incineração dos gases de combustão é aproveitado para gerar energia elétrica, suficiente para abastecer 2300 residências, com um consumo médio de 200 kW/ mês.

A Coppe quer aumentar a eficiência dessa produção. De acordo com Luciano Basto, pesquisador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (IVIG) e coordenador do projeto Usina Verde na Coppe, existe a possibilidade de triplicar a quantidade de energia produzida sem alterar os níveis de lixo incinerado. “A usina vai continuar recebendo 30 toneladas por dia, mas em vez de produzir 700 kW, poderá gerar 2 megawatts”, assegura.

O centro tecnológico não tem fins lucrativos, mas pretende vender a tecnologia. O módulo comercial da usina teria capacidade para receber 150 toneladas diárias de resíduos, quantidade produzida por uma cidade pequena, com média de 180 mil habitantes. Isso geraria energia suficiente para 7500 residências. “Cerca de 20% da população dessa cidade poderia ser abastecida pelo seu próprio lixo”, explica João Henrique Paes Leme, engenheiro químico e diretor do projeto.

O custo inicial para implantação de uma usina desse porte é avaliado em torno de 23 milhões de reais. Pode parecer alto, mas vale lembrar que a importação dessa mesma tecnologia demandará da empresa interessada um investimento de cerca de 23 milhões de dólares.

Os créditos de carbono

O crédito de carbono é um dos mecanismos de flexibilidade permitidos pelo Tratado de Kyoto, acordo assinado pelas principais nações poluidoras, em 1997, no Japão. Esse sistema possibilita que os países do Norte cumpram as exigências de redução de emissões de gases poluentes fora de seu território.

A Usina Verde pode se tornar o 83º projeto brasileiro a receber créditos de carbono. Isso porque, além de não liberar metano, gás danoso ao meio ambiente, ela usa resíduos sólidos em substituição ao combustível fóssil, como o petróleo, para produzir energia. A implantação dessa usina prevê também uma favorável mudança na logística do lixo. Os caminhões vão trafegar menos, utilizando menos diesel, o que diminuirá as remessas de poluentes no ar.

A questão do lixo

O lixo é hoje um problema que afeta grande parte das cidades brasileiras. O seu armazenamento em aterros sanitários provoca fortes impactos ambientais. Os lixões, como são vulgarmente conhecidos locais de depósito de resíduos sem adequado tratamento, geram decomposição da matéria orgânica, liberando CO2 e metano na atmosfera e poluindo o solo e os lençóis freáticos.

Projetos como a Usina Verde e a Central de Tratamento de Resíduos (CTR) de Nova Iguaçu ajudam a pensar novas formas de tratamento dos resíduos urbanos. A CTR, parceira do Laboratório de Estudos de Poluição do Ar (Lepa) do Departamento de Meteorologia da UFRJ, foi a primeira usina a receber o certificado de crédito de carbono no mundo.

A central possui um aterro controlado, com o piso impermeabilizado, o que evita a contaminação do solo. Ela recebe todo o lixo do município e, apesar de realizar um processo de tratamento diferente do utilizado pela Usina Verde, também produz energia a partir dos detritos. Luciano Basto acredita que a universidade, como centro de excelência, tem o dever de pensar novas tecnologias e soluções para os problemas do país. “O fato de termos chegado a um nível de eficiência na geração de energia pelo tratamento de resíduos é apenas o primeiro passo. A busca pela qualidade total é o nosso grande incentivo”, enfatiza.



Publicado em:
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